Balada sujeita a nudes
- Van
- 15 de mai. de 2024
- 6 min de leitura
Atualizado: 17 de mai. de 2024

Eu tinha passado o dia me sentindo meio baixo astral. Decidi sair para ver se dava uma virada no ânimo. Pesquisei festinhas LGBT+ e apareceu uma na NossaCasa, que era com tema Ben Jor & Tim Maia, na Vila Madalena, pertinho de casa. São Paulo realmente é uma maravilha - é só pesquisar que vai ter alguma coisa para todo gosto.
Quando cheguei lá, tinha umas 3 pessoas na minha frente para entrar e, enquanto eu esperava, vi na parede do caixa uma bandeira LGBT+ gigante e um aviso dizendo “Sujeito a nudes”. Pensei “opaaaa!”.
Entrei, o espaço era pequeno, então nem precisava de tanta gente para parecer cheio. Estava confortavelmente cheio. Dava pra dançar, andar pedindo licença aqui e ali. E eu pensei comigo mesma “hoje vou beijar quem quiser me beijar”, uma coisa que eu nunca tinha decidido desse jeito. Eu nem sou tão criteriosa nos rolês, mas foi a primeira vez que pensei assim.
Logo reparei num homem com uma cara super feliz, fazendo vídeos e com um puta sorrisão. Um pouco excessivo até, comparado com as pessoas nos rolês. Um tempinho depois, eu entendi o porquê. Ele era de Jundiaí e nunca tinha ido numa balada dessas, como ele mesmo me falou, num momento em que estávamos perto um do outro e ele começou a me xavecar. Conversei um pouco com ele, mas não estava nem um pouco interessada. Eu já ia furar minha “promessa” da noite com a primeira pessoa que chegou em mim. Mas, além de eu não o achar atraente, ele tinha uma conversinha muito ruim e – o pior de tudo – um bafo horrível. Aí realmente eu não precisava nem me penalizar, porque uma condição mínima – um hálito decente – estava implícita no “vou beijar quem me quiser”.
Eu tentei sutilmente rejeitar o sujeito, que quis ficar insistindo, aí virei para pegar uma bebida no bar e consegui fugir dele. Fui pro outro lado da pista. O sujeito me achou lá e voltou a insistir. Aí fui mais categórica, já que sutileza ele não queria entender. Consegui me livrar dele.
Daqui a pouco veio um cara que eu já tinha visto que era um dos poucos héteros. Ele estava usando boina. Giovana Fagundes (@giovanafagundes no IG) já me ensinou em seus reels quem são os calvos de boina. Mas eu achei o cara bonito, dei-lhe o benefício da dúvida e deixei a conversa fluir. Bem melhor do que o primeiro cara, ele até que sabia conversar, mas, claro, era minion. E amigo do primeiro! Aliás, foi assim que ele chegou em mim, falando do amigo. Quando eu percebi a pessoa conservadora que ele era (e até hoje estou sem entender o que ele estava fazendo num rolê LGBT+), dei um jeito de sumir.
O meu primeiro beijo da noite foi quando fui pegar uma bebida no bar e tinha um cara, que me pareceu bem gay (camisa estampada chamativa, meio aberta, uma corrente também chamativa no pescoço), pegando uma cerveja. Uma lata grande, maior do que o normal, e ele fez um comentário sobre o tamanho da lata comigo, puxando assunto. Eu respondi, sem achar que ele estivesse me xavecando, mas ele fala que vai pedir um copo de vidro pra cerveja e eu duvido que o bar vá atender o pedido dele. Ele apresenta a seguinte aposta: “se eu conseguir, você me dá um beijo?”. E eu: “fechado!”. Quando o copo é pedido, o atendente do bar balança a cabeça negando e eu já canto vitória, dando risada alto. Mas 30 segundos depois o copo está no balcão e o cara me faz uma cara de “está na hora de coletar meu prêmio”. Beijamos. E eu um tanto confusa, porque no fim ele queria me beijar, ou seja, acho que nem era gay como eu tinha pensado. Depois cada um seguiu seu caminho separadamente.
Fiquei com meu drink ao lado do bar, dançando, e o boina me aparece novamente. Fala alguma frase e me beija. E eu correspondo, já pensando “POR QUÊ???”. Ele estava indo embora, ia dirigir de volta para Jundiaí com o amigo deslumbrado e baforento, então, pelo menos, foi uma interação rápida.
A terceira pessoa que beijei na noite foi outro homem. Bonitinho, ele meio estava me olhando, eu dou um molezinho, estava tocando forró, a gente dança junto e se beija. Beijo gostoso, fiquei beijando e dançando com ele um tempinho, enquanto ele olhava de vez em quando para um amigo, que sorria de volta. O amigo tinha uma expressão de “ah, conseguiu”, mas não sei exatamente o que eles estavam comunicando entre si.
Depois eu saí de fininho, fui pertinho do palco e tinha uma mulher maravilhosa do meu lado e um cara que estava com ela fazendo uns vídeos da banda, da balada, com o celular. Eu achei que o cara fosse um amigo dela.
A mulher era mais baixa que eu, toda malhada, usava uma blusa de um ombro só e uma saia curta, ambas coladas ao corpo. Cabelo raspado de um lado da cabeça, pele bem branquinha e parecia estar bem louca.
Quando a banda terminou a apresentação, um dj assumiu, mas a pista esvaziou. Umas das poucas pessoas que sobraram fomos eu e ela, dançando perto uma da outra. O amigo dela não estava com ela naquele momento. Nisso o cara com quem dancei forró apareceu para pedir meu Instagram. Ele me deu o celular dele para digitar, quando ele e a gostosa se viram e se cumprimentaram. Assim eu comecei a falar com ela. Perguntei se ela já tinha beijado o cara, ela disse que sim, num outro dia. E eu disse que tinha acabado de beijar. O cara e ela ficaram meio trocando umas palavras e eu tive que xavecar a gostosa na cara dura quando ele estava no celular, me seguindo no Instagram. Falei ao pé do ouvido dela que ela era a mulher mais gostosa da balada (o que era fato). Ela sorriu. Contei para o cara o que tinha acabado de dizer para ela e ele “ah, ela é maravilhosa mesmo”. E logo depois vazou.
Eu devo ter conversado mais alguma coisa rapidinha com ela, mas só lembro de ter perguntado “você também beija mulher?” e a resposta dela foi “só as gostosas”, já vindo na direção da minha boca. A partir daí eu praticamente não desgrudei daqueles lábios.
Ela estava segurando um copo e eu perguntei o que ela estava bebendo, ao que ela respondeu “nem sei, meu marido que pegou para mim”. Então não era amigo, era marido!
- Onde ele está?
- Não sei também, está por aí.
Ela me contou que eles saem juntos, beijam outras pessoas nos rolês, mas não fazem nada além disso. Ela beija homens e mulheres, ele só mulheres.
Logo o marido voltou e ficou do nosso lado. Esquisitamente, ficou só olhando a gente por um tempinho, até ela me apresentar. Como eu estava me divertindo beijando a gostosa, consegui não ligar muito para ele parado lá, mas que era meio bizarro, era.
E mesmo depois dela nos apresentar, a gente continuou se pegando e ele só parado do lado. Uma hora ela até deu nossas bolsas para ele segurar.
Eu e ela ficamos dançando e nos beijando. Que beijo foda. Eu estava com o tesão nas alturas, passando a mão naquele corpo torneado todo.
Como ela tinha me falado que morava lá perto e já tinha ido várias vezes no NossaCasa, perguntei sobre os nudes, que não tinham acontecido naquela noite, se em alguma outra noite ela já tinha presenciado. Ela disse que sim. Minha próxima pergunta foi se ela já tinha feito e ela disse que colocou só os peitos pra fora, uma vez.
Eu estava super concentrada nela e em todas as sensações que ela causava no meu corpo. Então nem fiquei olhando muito ao nosso redor, mas imagino que a gente estava meio dando um show. Não tinha muita gente na pista, e a gente estava num nível pesado de pegação, imagino que estava chamando atenção e quem curte ver duas mulheres juntas devia estar assistindo. Uma hora eu até baixei a blusa dela um pouco, o suficiente para poder chupar o peito dela. Ali mesmo, no meio da pista. Rapidinho, mas que delícia.
Eu estava louca pra transar com ela, poder tocar na pele dela toda sem nenhuma roupa atrapalhando, queria mais que tudo naquela hora que ela pegasse no meu grelinho. Eu até falei no ouvido dela que ela estava me deixando maluca, que eu estava muito molhada. Ela me respondeu alguma coisa que eu não consegui entender e eu só voltei a beijar aquela boca.
Até que uma hora ela falou que precisava tomar um ar. “Você vem?”, ela me falou. E eu disse que sim. Ela olhou para o marido, que começou a nos seguir também. Atravessamos a pista, eu estava achando que ela ia para a parte externa. Mas ela viu o banheiro, parou e virou pra mim “aqui é o banheiro”. Eu concordei e, na minha cabeça, aquilo era um convite para ir transar no banheiro, porque eu já tinha transado com 2 outras mulheres em banheiros de baladas (leia aqui e aqui). Então ela abriu a porta do banheiro - que era individual -, entrou e eu fui seguindo, na certeza de que era para eu entrar junto. Ingênua eu, levei a porta na cara! Ela só queria mesmo usar o banheiro e não queria trepar coisa nenhuma. E eu já achando que é o padrão trepar com mulher nos banheiros dos rolês.
Fiquei conversando com o marido do lado de fora. Ele, muito apaixonado, me contou resumidamente a história deles. Quando ela saiu, ficamos conversando mais um pouco, mas depois da porta na cara achei que era hora de ir pra casa. De qualquer forma, voltei podendo falar que peguei a mulher mais gostosa da noite.
Comments